Jolenon, o Airoso

Muito prazeroso o desenho do Jolenon, o Airoso, que saiu exatamente assim airoso, muito leve e simpático, ainda que talvez quando se escreva surjam camadas as quais eu não vou saber agora. É engraçado como o reflexo do dia entra no desenho, porque havia sido uma manhã airosa e agradável. Você tem um clima e me parece óbvio que esse clima vai interferir. Assim, o Airoso provavelmente não apareceria em um dia melancólico. Talvez viesse o Terroso, o Aquoso, que me parece agora algum vilão do He-Man. Ah não, aquele era o Aquático. Também é muito claro que cada fragmento desses desenhos veem de mim naturalmente como fragmentos de sonhos, que não dá pra outra outra pessoa compreender. Não de apenas sonhos, mas vivências do cotidiano também, que circundam os dias próximos, ou distantes. Tive uma conversa hoje sobre memória, e um certo consenso é de que a primeira que lembramos é de por volta dos três anos, e que se você quiser essa lembrança pode ser um estandarte de todo sua vida adiante. Quando cavouquei essa época uns anos atrás, me veio uma de 1984, olhando o cometa Halley da fazenda do velho Carlito, em que me puseram sobre uma escadinha e meus pais diziam Tá vendo? E eu via, uma discreta manchinha branca bem no horizonte, uma noite escura e limpa. Mas eu também lembro de urinar no beliche do Trem de Prata indo pro Rio de Janeiro, então não sei. Um fragmento é que o álbum Jolene da Dolly Parton é o que eu tenho mais escutado nos últimos dias. A simplesmente perfeição, e a mulher ainda era engraçadíssima. Mas não conheço muito sua história. Quero um dia conhecer o miolo dos Estados Unidos, parar naqueles postos de estrada. É talvez influencia do Kerouac, mas não apenas. Tem todo o cinema, claro. Bob Dylan. Os horizontes, porque faz muito tempo que não entro na natureza, e isso faz falta.

Deixe um comentário